Desde 2019, toda moto nova vendida no Brasil acima de 300 cilindradas precisa sair de fábrica com freios ABS, e as menores, com ao menos o sistema CBS. A legislação seguiu evidências robustas: estudos internacionais apontam reduções expressivas em acidentes fatais em motos equipadas com ABS. Mas muitos pilotos ainda não entendem o que esses sistemas fazem, e principalmente o que não fazem.
O problema que o ABS resolve#
Em uma frenagem de emergência, o instinto manda apertar tudo com força. Em uma moto sem ABS, isso trava a roda, e roda dianteira travada em moto significa queda quase certa em fração de segundo. O medo desse travamento faz muitos pilotos frearem menos do que poderiam, alongando a distância de parada. O ABS monitora a velocidade das rodas centenas de vezes por segundo e, ao detectar o início do travamento, alivia e reaplica a pressão hidráulica automaticamente, mantendo a roda girando no limite da aderência. Resultado: o piloto pode frear com força total, mesmo no molhado, sem cair.
E o CBS, como funciona#
O CBS (freios combinados) distribui a frenagem entre as duas rodas quando o piloto aciona apenas um comando. Ao apertar o freio traseiro, parte da pressão vai também para o dianteiro, que é responsável pela maior parte da capacidade de frenagem. É um sistema mais simples e barato que o ABS, eficaz para compensar o hábito comum de usar apenas o freio traseiro, mas ele não impede travamentos: apenas otimiza a distribuição.
O que os sistemas não fazem#
- ABS não reduz a distância de frenagem em todas as situações: em terra e cascalho, pode até aumentá-la (por isso motos trail têm ABS desligável na roda traseira).
- Nenhum sistema anula a física: velocidade excessiva na curva ou distância curta demais continuam sendo fatais.
- ABS convencional atua com a moto em linha reta; apenas sistemas mais sofisticados, com ABS de curva presente em motos premium, ajudam com a moto inclinada.
Como treinar a frenagem com ABS#
Encontre um local seguro e vazio e pratique frenagens fortes progressivas até sentir o pulsar do sistema nas alavancas. Conhecer essa sensação antes da emergência real evita o erro clássico de aliviar o freio ao sentir a pulsação. Freio bom é freio que você sabe usar: a tecnologia amplia margens, mas a técnica continua sendo do piloto.
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