No trânsito urbano, o motociclista é o elo mais frágil da corrente. Estatisticamente, a maioria dos acidentes envolvendo motos ocorre em cruzamentos e conversões, quase sempre porque o motorista simplesmente não viu a moto. A pilotagem defensiva parte de uma premissa incômoda mas eficaz: assuma que ninguém te vê e que todos podem errar.
Posicionamento é sua principal ferramenta#
Evite rodar no ponto cego dos veículos, aquela zona lateral traseira onde os espelhos não alcançam. Ao se aproximar de um carro, passe pelo ponto cego rapidamente ou fique atrás, visível no retrovisor. Na faixa de rolamento, posicione-se onde possa ser visto e onde tenha rota de fuga: geralmente o terço esquerdo ou direito da faixa, nunca no centro, onde acumulam óleo e resíduos.
Cruzamentos: o momento de máxima atenção#
A colisão clássica é o carro que converge à esquerda na frente da moto que vem em sentido contrário. Ao se aproximar de qualquer cruzamento, reduza, cubra os freios com os dedos posicionados nas alavancas e observe as rodas dianteiras dos carros parados, que denunciam movimento antes da carroceria. Faça contato visual com o motorista quando possível, mas não confie nele: olhar não significa ver.
O corredor entre carros exige regras próprias#
- A diferença de velocidade em relação aos carros não deve passar de 20 ou 30 km/h.
- Com o trânsito fluindo acima de 60 km/h, o corredor deixa de valer a pena.
- Atenção redobrada a brechas no tráfego: é por elas que carros mudam de faixa e pedestres atravessam.
- Motos vindo atrás mais rápido que você? Dê passagem, não dispute o corredor.
Antecipação: pilote com os olhos longe#
Olhe de dez a quinze segundos à frente do seu percurso, não para a traseira do carro da frente. Isso permite identificar o ônibus parando, o pedestre na esquina, a mancha de óleo, antes que virem emergências. Mantenha distância de seguimento de ao menos dois segundos e escalone sua posição para enxergar além do veículo à frente. A regra de ouro da defensiva resume tudo: esteja sempre em uma posição, velocidade e estado de atenção que permitam reagir ao erro dos outros.
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